quinta-feira, 4 de julho de 2013

Religião deve criticar a própria religião

PARTE I - O SURGIMENTO DA RELIGIÃO

O surgimento da religião se deu, provavelmente a cerca de 12 mil anos, com o fim da era pré-histórica.

No momento em que o homem passou de caçador-coletor a domesticador de animais e produtor de seu próprio alimento (agricultura), passando de nômade para sedentário, a religião surgiu como unificador em torno de crenças comuns, incentivando os conceitos de moral, direitos, respeito, limites, imprescindível para uma convivência pacífica e a sobrevivência de um grupo que, pela primeira vez na história, se preocupava (e fazia planos) com o futuro.

Antes disso, o homem se via como parte da natureza, sem distinção.

Agora ele se percebe  diferente, superior aos animais, controlador do tempo, das estações.

Com a sistematização das atividades em torno da produção agrícola e da domesticação de animais para a execução de tarefas repetitivas e pesadas, sobrou mais tempo para o homem pensar.

A nova arte do pensamento junto com o compartilhamento em torno de crenças comuns em divindades que ordenavam as forças da natureza estabeleceu o fundamento da religião moderna.

As descobertas em sítios arqueológicos de civilizações muito antigas (mais antigas que a própria civilização egipsia) demonstraram que, no centro daquelas pequenas comunidades, em geral, havia um templo, local de reuniões, adoração e, provavelmente, local de sacrifícios ou culto aos mortos.

Segundo alguns escritores modernos, um contrassenso é que a religião, que também surgiu para frear a violência inerente ao homem, tenha sido, historicamente, um fator de incremento de mais violência ainda, chegando a afirmar que religião e violência são dois lados da mesma moeda. Muitas vezes, para controlar a violência de grupos pequenos dentro da comunidade, a religião lançou mão da própria violência e em proporção muitas vezes maior.

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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Religião X Estado



O patriarca dos judeus, Abraão, recebe uma tarefa que era muito comum em sua época: sacrificar
o seu filho em holocausto.

Porém, na última hora, Jeová intervém no sentido de poupar a vida de Isaque. 

Está instituído, pela primeira vez, um princípio moral e ético que mudaria a humanidade para sempre  inaugurando o conceito de civilização: a vida humana é importante para Deus e deve ser preservada, protegida e inviolada.

Na época dos reformadores da igreja (Lutero, Clavino), um novo princípio iria ser instituído: o da separação entre igreja e estado.

A promiscuidade de poder (e pelo poder) que havia entre reis e o clero, onde muitas vezes o papa não apenas intervinha nas questões políticas mas tomava decisões de estado sob uma suposta determinação divina, como no caso da convocação das cruzadas para as famosas "guerras santas", levaram os reformadores protestantes do século XVI a tal atitude.

No entanto, este princípio trouxe também, para os nossos dias, consequências negativas: a moral e ética religiosa foi banida definitivamente da esfera secular.

Por isso é possível termos um povo desonesto, políticos corruptos, empresários gananciosos, instituições suspeitas, dentro de um país de tradições religiosas, como o Brasil.

A vida social foi, total e irremediavelmente, desvinculada da consciência.


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segunda-feira, 17 de junho de 2013

UNICIDADE x  MONOTEÍSMO

Para os judeus pré-exílio babilônico (cerca de 600 a.C.) Deus era a expressão da UNICIDADE.

Não havia dualidades (o bem versus o mal, a vida versus a morte, o céu versus o terreno, etc). TUDO era expressão da revelação divina.

Após a volta à Jerusalém, pós-exílio, a religião judaica evoluiu para o MONOTEÍSMO.

Como o sufixo "ismo" sugere, uma facção, um partido, um grupo em oposição a todos os outros grupos.

Agora Deus já não é UNO, Ele é quem escolhe, quem separa, quem dá direitos e poderes ao Seu povo para conquistar, subjugar... e matar em Seu Nome santo!

Assim como o cristianismo excluiu e baniu todas as outras expressões religiosas (inclusive o judaísmo),
o monoteísmo não admite as diferenças, as peculiaridades, as discordâncias.

"as religiões tendem a esquecer a parcialidade inevitável que emerge do fato básico da condição humana, qual seja, de que a verdade é sempre percebida de um ponto de vista ou de outro - nunca em si mesma." (1)

(1)James Carroll, "Jerusalém, Jerusalém", p.359

terça-feira, 4 de junho de 2013

TEMPO x ESPAÇO x FÉ

três dimensões nas quais o ser humano transita
na sua existência consciente: tempo, espaço, fé.

Mensuramos a realidade pelo TEMPO!

Nos deslocamos no ESPAÇO!

Realizamos pela FÉ!

Mensurar, mover e realizar... Tempo, espaço e fé!

O apóstolo Paulo escreveu: "a FÉ é o firme fundamento das coisas que se esperam,
e a prova das coisas que não se vêem" (1)

Quando acordamos, cada manhã, temos a real dimensão do tempo (horas, dias ano...)

Quando nos movemos do quarto ao banheiro para escovar os dentes e deste à sala para
tomar um delicioso café, apreendemos o espaço (largura, distância, altura, profundidade...)

Quando fazemos planos, pensamos em realizar algo naquele dia que nos fará bem
ou trará felicidade a outras pessoas, o fazemos pela fé!

Queiramos ou não, somos contidos pelo tempo, espaço... e FÉ!








quinta-feira, 30 de maio de 2013

A ORIGEM DE DEUS

A consciência de Deus, nas culturas primitivas, parece ter-se concretizado a partir das experiências humanas.

A partir do contato das limitações com o ilimitado, do temporal com o eterno, do concreto com o milagre, o homem chegou à interpretação de que existem forças externas e superiores à sua própria consciência que governam o cosmos, a vida e a morte.

A esta expressão sobrenatural as culturas primitivas chamaram "Deus", passando pelo inominável dos judeus, pelo sofredor do cristianismo, pelo guerreiro dos islamitas e chegando até nós de múltiplas e diversificadas formas quantas forem as correntes teológicas modernas.

Mas, o que para muitos parece ser uma definição de que Deus é "produto da mente humana", para mim é a comprovação de uma realidade pessoal, vivida, experimentada de proximidade com o sobrenatural, portanto bela e inexprimível (que é a própria definição de religião).

A forma como esta experiência se manifesta nas diversas culturas e religiões não desqualifica a fonte de sua origem primeira: ELE É!



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LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Se há um sistema, seja ele político, social ou religioso, que suprime seu direito a livre consciência, certamente há algo errado.

A religião deve ser utilizada para criticar a própria religião, evitando-se, assim, que se reproduzam excessos e cerceamento do direito ao livre arbítrio.

A renovação de idéias não significa rejeição às definidas anteriormente, mas a revisão dos pontos de vista convencionalmente apreendidos como verdades  para que eles se tornem contextualmente adequados à modernidade.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A ciência são os óculos da fé.

A fé, por seu próprio caráter emocional, está exposta a uma tendência ao
exagero, à supervalorização e a interpretar fenômenos físicos como
expressões de transcendência mística.

A ciência permite enxergar melhor a ação do milagre divino.

Segundo alguns autores, e eu concordo, a declaração
bíblica de que "a ciência incha" (1) é uma demonstração de preconceito
de época contra os métodos científicos, e que levou tantos estudiosos
às fogueiras da inquisição na Idade Média.

Assim como os cientistas não chegam  à novas descobertas sem fé,
a religião não se renova se não permitir que novas descobertas
científicas a livre das superstições do passado e da ignorância
religiosa cultivadas como verdades divinas
absolutas
nos calabouços dos conventos medievais.

(1) I Livro aos Coríntios 8:1

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