segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Victor Hugo (pensamentos)

"A alma tem sede do Absoluto, e o Absoluto não é deste mundo."

"A morte é uma mudança de vestimenta. A alma que estava vestida de sombra vai ser revestida de Luz."

"Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.
Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é espírito."

Victor Hugo (1802 - 1885)

domingo, 11 de agosto de 2013

O corpo desta morte!

"Quem me livrará do corpo desta morte?" Rom. 7:24

"Não mais eu vivo, mas Cristo vive em mim." Gal. 2:20

O homem busca em Deus o ideal de perfeição a partir da consciência de sua condição.

Paulo se reconhece, a partir da consciência de si mesmo, imperfeito, violento, nu.

O ideal cristão (Cristo) é sobreposto à sua natureza humana como forma de alguma possibilidade
em alcançar o ideal de perfeição, como um avatar.

Ele luta para retirar de sobre si o corpo da sua própria natureza humana ("o corpo desta morte") substituindo por um outro corpo, desta vez o corpo ensanguentado de Cristo ("mas Cisto vive em mim").

O que há de comum entre esses dois corpos é que eles passaram pela violência.

Seja o "corpo da morte" quanto o corpo de Cristo, ambos foram vítima do que há de mais humano em tudo que existe na religião: a violência.







sábado, 10 de agosto de 2013

As Faces de Deus! (parte I)

"Disse Moisés: Rogo-te que me mostres a Tua glória." Respondeu o Senhor: "Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá".Êxodo 33:18-20.

"E acontecerá que, quando a minha glória passar, te porei numa fenda da rocha e te cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado.
E, havendo Eu tirado a minha mão, me verás pelas costas; MAS A MINHA FACE NÃO SE VERÁ." Êxodo 33:22,23.

Ao longo da história o homem tem procurado responder a uma pergunta que aflora de seu íntimo: quem é Deus?

Reconhecendo a presença de Deus através da ação das forças da natureza, ele complementa suas inquietações com: onde Deus habita? como Ele se comunica conosco? qual o seu padrão de comportamento? do que Ele gosta e do que não gosta? o que lhe a grada? e, o mais importante, como posso agradá-lo e andar em sintonia com o Eterno?

Estas perguntas são inatas à natureza humana.

Mas Deus não pode ser visto, apenas PERCEBIDO!

Temos é um conceito de Deus à partir da percepção humana culturalmente condicionada à época em que este conceito foi formalizado. (isto será melhor desenvolvido na parte II)

Não poderia ser de outra forma: se o homem foi criado a imagem de Deus, naturalmente esta imagem trás consigo os contornos do objeto (ainda que o objeto se apresente desfocado na sua imagem refletida).

Se o homem sofre; Deus é um Deus sofredor!
Se o homem ama; Deus é um Deus que ama!
Se o homem é violento; Deus é o Senhor dos Exércitos!
Se o homem é intolerante; Deus é um Deus que se ira e mata em nome da justiça.
Se há momentos de caridade e bondade no homem; Deus é um Deus de misericórdia!
Se existe esperança no homem; Deus é um Deus de Fé!

A imagem buscando refletir o objeto!

Os judeus levavam a reverência a Jeová ao ponto mais extremo: nem lhe pronunciavam o nome. 

Por que, então, os cristãos desenvolveram um padrão de caráter e ação para Deus chegando ao pondo de uma quase fotografia de Deus? 

O Deus do cristianismo ficou tão íntimo e pessoal que muitos chegam a dormir com Ele, comer com Ele, sentir Sua respiração, ouvir seus sussurros, conhecer, de forma inequívoca, Sua vontade (até quando matam em Seu Nome). 

O Deus suvenir: você pode ter o seu na prateleira da sua estante.

Há que se ter respeito, reverência e temor ao Nome de Deus (antes mesmo de se tentar conhecer o próprio Deus).

Quando o cristianismo declarou ao mundo que "deus havia se revelado afinal", a religião passou a ser o Seu porta-voz, o arauto da Sua vontade, não apenas nos negócios de fé, mas de Estado e da guerra.

"a minha face não se verá"





sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A verdadeira Religião

A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é estaVisitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se incontaminado do mundo” Tiago 1.26-27.

Esta afirmativa do autor da carta de Tiago, ao meu ver, contém uma verdade e uma distorção de verdade.

A verdade é que "a religião pura e imaculada" consiste em ATITUDE.

Visitar órfãos e viúvas nas suas aflições é um dever de todo homem que professa a essência de Deus em si.
Se o homem foi criado a imagem de Deus, como diz o livro de Gênesis, então essa imagem se reflete em ATOS de atenção para com os necessitados, dentre muitas e muitas outras atitudes que devem (e podem) ser tomadas perante a sociedade.

Se a sociedade mergulha na corrupção e na mentira e a igreja não tem ATITUDE, mas está circunscrita a seu templo, ao seu corpo de membros, às suas estratégias para expansão do "evangelho", diga-se pregar que todos vão para o inferno e que Jesus é a única salvação... isto é ATITUDE? Reflete a imagem de um Deus que se preocupa com todos e não apenas em encher um saco com almas "salvas"?

Toda a história do Velho Testamento está pautada em uma FÉ COM ATITUDE. Apenas o Novo Testamento é que inaugurou um tipo de fé CONTEMPLATIVA, PASSIVA, SUBSERVIENTE, ACOVARDADA, EXCESSIVAMENTE PRUDENTE chegando a ser COMPLACENTE COM A CORRUPÇÃO, como convinha ao Estado Romano decadente do Imperador Constantino (século IV dC): "admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam..." Tito 3:1.

A distorção da verdade é afirmar que o "crente" deve "guardar-se incontaminado do mundo".

Já discutimos isso anteriormente: a heteronomia (duas ou mais realidades distantes uma da outra, opostas) entre bem x mal, céu x inferno, anjos x demônios, puro x impuro, salvo x perdido, eternidade com Deus x eternidade sem Deus, o salvador x o tentador.

Neste caso o mundo contamina, é perdição, só serve para pecar e destruir. O céu, ao contrário, é vida, luz, gozo eterno, prazer...

Três séculos depois do autor de Tiago escrever estas palavras, um poder venal, corrupto e manipulador lançou as bases do terror afirmando que a religião ortodoxa era o único meio de alcançar o paraíso distante onde mora o Deus severo e iracundo, apoiando-se naturalmente em Jesus que passou a ser subalterno aos dogmas desta religião e à Maria imaculada intercessora entre o Filho e o Pai.

Religião só é boa se reflete ATITUDE. Ponto!
Ter ATITUDE!

domingo, 14 de julho de 2013

Religião deve criticar a própria religião

PARTE II - SURGIMENTO DO CRISTIANISMO


O cristianismo, a despeito de alguns acharem que, por tem este nome, foi criado por Cristo, não é verdade.

Cristianismo foi uma religião criada no IV século d.C. inspirada na figura e carisma de Cristo.

Jesus, chamado o Cristo (Messias no hebraico) não criou religião, nem escreveu qualquer carta ou evangelho, nem ordenou qualquer sucessor que continuasse seu trabalho após a sua morte.

Nas primeiras décadas após sua partida, seus discípulos divulgaram versões de seus ensinos que, mais tarde, foram registradas em evangelhos e cartas às igrejas (reunião doméstica dos primeiros convertidos e não instituição ou denominação como a conhecemos hoje).

O Imperador romano Constantino, no século IV d.C., reuniu alguns bispos, sob sua ordem, e dirigiu o primeiro concílio para estabelecer uma ortodoxia que deveria prevalecer sobre os outros grupos religiosos e considerar anátema todas as outras versões e interpretações acerca dos ensinos e da personalidade de Jesus.

Assim foram escolhidos os 66 livros que compõem a bíblia, ordenando que todos os outros escritos fossem considerados apócrifos, e aqueles que os lessem passivos de excomunhão da comunidade cristã e, posteriormente, a morte.

Com discussões acaloradas e nem sempre "santas", foram sendo estabelecidos muitos dos dogmas que influenciaram para sempre toda a cristandade, inclusive os evangélicos: a trindade, o céu x o inferno, o celibato, a consubstanciação do corpo de Cristo no pão e no vinho, o pecado x a recompensa no céu, culminando com o culto à Maria como intercessora entre Deus e os homens (um autor católico afirma que o culto à Maria surgiu, provavelmente, para compensar a necessidade que os prelados sentiriam de se relacionar com a figura feminina, já que o celibato proibia o contato com o sexo oposto.)

Assim foi edificado o Cristianismo, instituição romana à serviço do poder venal.

Se Deus trabalhou certo através de mãos erradas, só a fé de cada um pode aquilatar.

Contato com o autor: pereirarquiteto@ig.com.br

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Religião deve criticar a própria religião

PARTE I - O SURGIMENTO DA RELIGIÃO

O surgimento da religião se deu, provavelmente a cerca de 12 mil anos, com o fim da era pré-histórica.

No momento em que o homem passou de caçador-coletor a domesticador de animais e produtor de seu próprio alimento (agricultura), passando de nômade para sedentário, a religião surgiu como unificador em torno de crenças comuns, incentivando os conceitos de moral, direitos, respeito, limites, imprescindível para uma convivência pacífica e a sobrevivência de um grupo que, pela primeira vez na história, se preocupava (e fazia planos) com o futuro.

Antes disso, o homem se via como parte da natureza, sem distinção.

Agora ele se percebe  diferente, superior aos animais, controlador do tempo, das estações.

Com a sistematização das atividades em torno da produção agrícola e da domesticação de animais para a execução de tarefas repetitivas e pesadas, sobrou mais tempo para o homem pensar.

A nova arte do pensamento junto com o compartilhamento em torno de crenças comuns em divindades que ordenavam as forças da natureza estabeleceu o fundamento da religião moderna.

As descobertas em sítios arqueológicos de civilizações muito antigas (mais antigas que a própria civilização egipsia) demonstraram que, no centro daquelas pequenas comunidades, em geral, havia um templo, local de reuniões, adoração e, provavelmente, local de sacrifícios ou culto aos mortos.

Segundo alguns escritores modernos, um contrassenso é que a religião, que também surgiu para frear a violência inerente ao homem, tenha sido, historicamente, um fator de incremento de mais violência ainda, chegando a afirmar que religião e violência são dois lados da mesma moeda. Muitas vezes, para controlar a violência de grupos pequenos dentro da comunidade, a religião lançou mão da própria violência e em proporção muitas vezes maior.

Comentários: pereirarquiteto@ig.com.br










segunda-feira, 1 de julho de 2013

Religião X Estado



O patriarca dos judeus, Abraão, recebe uma tarefa que era muito comum em sua época: sacrificar
o seu filho em holocausto.

Porém, na última hora, Jeová intervém no sentido de poupar a vida de Isaque. 

Está instituído, pela primeira vez, um princípio moral e ético que mudaria a humanidade para sempre  inaugurando o conceito de civilização: a vida humana é importante para Deus e deve ser preservada, protegida e inviolada.

Na época dos reformadores da igreja (Lutero, Clavino), um novo princípio iria ser instituído: o da separação entre igreja e estado.

A promiscuidade de poder (e pelo poder) que havia entre reis e o clero, onde muitas vezes o papa não apenas intervinha nas questões políticas mas tomava decisões de estado sob uma suposta determinação divina, como no caso da convocação das cruzadas para as famosas "guerras santas", levaram os reformadores protestantes do século XVI a tal atitude.

No entanto, este princípio trouxe também, para os nossos dias, consequências negativas: a moral e ética religiosa foi banida definitivamente da esfera secular.

Por isso é possível termos um povo desonesto, políticos corruptos, empresários gananciosos, instituições suspeitas, dentro de um país de tradições religiosas, como o Brasil.

A vida social foi, total e irremediavelmente, desvinculada da consciência.


Contato: pereirarquiteto@ig.com.br