O conceito de liberdade é entendido comumente como o direito de fazer o que se quer, quando se quer, onde quiser e com quem quiser.
Liberdade não pode ser interpretada como uma atitude de ser livre de forma irresponsável e irrestrita.
O cristão deve viver sua liberdade a exemplo da liberdade de Jesus.
Jesus era livre...
Livre do ódio,
e por isso podia dar a outra face...
Livre do perconceito,
e por isso podia amar o diferente...
Livre do apego à própria vida,
e por isso pode se doar...
Livre do pecado,
e por isso acolhia o pecador sem reservas...
A idéia de Calvino era a de que não se pode viver plenamente o cristianismo
sem LIBERDADE.
A Igreja que não cultiva a liberdade...
não cresce,
não recicla,
não se contextualiza,
não satisfaz plenamente as necessidades do cristão.
"O homem apresenta dimensão somática, psíquica, racional, individual, social, econômica, política, sapiencial, erótica, estética, histórica, técnica, ética." (1)
A Igreja que vê o homem apenas na sua dimensão transcendente, religiosa e emocional, está fadada a produzir crentes deformados, subservientes, falsos e inseguros.
(1) Arduini, Juvenal. Destinação Antropológica. São Paulo, Paulinas. 1989, p. 9.
segunda-feira, 24 de março de 2014
quinta-feira, 20 de março de 2014
Secularização da fé
"Secularizar é o processo pelo qual, no final, a Igreja será somente uma parte do mundo entre tantas outras (instituições). Neste processo, ela é um estreito apêndice que o mundo pode até mesmo considerar necessário para sua complementação, mas não terá importância prática alguma em sua vida. Secularização é o processo pelo qual o 'sal' perde o seu sabor." (1)
Em um mundo pós-moderno, plural, onde a verdade se tornou em um mero produto a ser consumido ao gosto do freguês, dentre tantas "verdades" disponibilizadas no mercado, a Igreja perdeu sua importância histórica.
Refletir sobre isto é importante.
A religião precisa de uma nova Reforma, reinvindicando sua importância espiritual e sua função de influênciar em todos os campos da sociedade (política, econômica, social, educacional).
Alguns ritos e dogmas devem voltar para a prateleira de onde foram retirados: as culturas extintas do passado distante. Não o conteúdo, mas sua forma, seus símbolos, sua liturgia já não se identificam mais com o homem racionalizado, individuaista, pessimista atual (porém tão vazio e carente como jamais foi).
Ecclesia reformata et semper reformanda est.
(1)Ribeiro, Cláudio de Oliveira. A Provisoriedade da Igreja... 1994, p.136.
Em um mundo pós-moderno, plural, onde a verdade se tornou em um mero produto a ser consumido ao gosto do freguês, dentre tantas "verdades" disponibilizadas no mercado, a Igreja perdeu sua importância histórica.
Refletir sobre isto é importante.
A religião precisa de uma nova Reforma, reinvindicando sua importância espiritual e sua função de influênciar em todos os campos da sociedade (política, econômica, social, educacional).
Alguns ritos e dogmas devem voltar para a prateleira de onde foram retirados: as culturas extintas do passado distante. Não o conteúdo, mas sua forma, seus símbolos, sua liturgia já não se identificam mais com o homem racionalizado, individuaista, pessimista atual (porém tão vazio e carente como jamais foi).
Ecclesia reformata et semper reformanda est.
(1)Ribeiro, Cláudio de Oliveira. A Provisoriedade da Igreja... 1994, p.136.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Razão, felicidade e liberdade
"O discurso moderno tem três temas principais: a razão, felicidade e a liberdade. Na modernidade tudo gira ao redor desses três temas. Pode-se dizer, porém: os três são bíblicos e cristãos. Contudo, os três foram e são apresentados como tipicamente modernos, alheios à tradição cristã, até opostos a ela." (1)
No lugar da razão, a igreja têm praticado a emoção; no lugar da felicidade, a teologia do sofrimento e resignação; no lugar da liberdade, o aprisionamento aos dogmas e tradições herdadas da idade média.
Uma célebre frase associado à reforma do século XVI é: Ecclesia reformata et semper reformanda est (A Igreja Reformada está sempre se reformando).
... sempre se reformando...
(1) Comblin, José. A força da palavra. Petrópolis: Vozes, 1986. p. 205
No lugar da razão, a igreja têm praticado a emoção; no lugar da felicidade, a teologia do sofrimento e resignação; no lugar da liberdade, o aprisionamento aos dogmas e tradições herdadas da idade média.
Uma célebre frase associado à reforma do século XVI é: Ecclesia reformata et semper reformanda est (A Igreja Reformada está sempre se reformando).
... sempre se reformando...
(1) Comblin, José. A força da palavra. Petrópolis: Vozes, 1986. p. 205
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
A Liberdade cristã (Calvino)
TOMO I
"...existe a necessidade de uma proclamação do evangelho significativa, relevante e capaz de estabelecer diálogo com seus interlocutores atuais, bem como estabelecer uma sociedade mais justa e mais igualitária, na qual os valores do Reino de Deus sejam vistos e vividos..."
Comentário:
Os princípios do humanismos, advindos com o Renascimento do século XIV, influenciaram significativamente os reformadores, principalmente Calvino. Ele aproveitou de alguns princípios básicos (o homem enquanto ser pensante, dotado de liberdade de escolha e capaz de mudar seu próprio destino) para negar a "autoridade papal absoluta e a hierarquia da igreja romana em assuntos religiosos" sem, no entanto, se afastar do princípio soberano da fé em Jesus Cristo e autoridade das Escrituras.
Os princípios do humanismos, advindos com o Renascimento do século XIV, influenciaram significativamente os reformadores, principalmente Calvino. Ele aproveitou de alguns princípios básicos (o homem enquanto ser pensante, dotado de liberdade de escolha e capaz de mudar seu próprio destino) para negar a "autoridade papal absoluta e a hierarquia da igreja romana em assuntos religiosos" sem, no entanto, se afastar do princípio soberano da fé em Jesus Cristo e autoridade das Escrituras.
TOMO II
Os
princípios defendidos por Calvino para sua igreja lograriam hoje "promover
libertação e liberdade, na prática cristã, através do anúncio genuíno do
Evangelho; provocando a desinstalação de uma religiosidade pós-moderna árida,
superficial, pragmática, com fortes evidências fundamentalistas, vencida pelas
leis de mercado que regem as relações humanas, tornando-a vazia de sentido existencial".
Comentário:
O tema central da reforma calvinista era a liberdade. O homem deve ser livre para pensar, para escolher, para ser responsável pelos seus atos e suas decisões. Porém esta liberdade deve ser vivida na fé em Cristo e pautada nos princípios libertadores das Escrituras.
O tema central da reforma calvinista era a liberdade. O homem deve ser livre para pensar, para escolher, para ser responsável pelos seus atos e suas decisões. Porém esta liberdade deve ser vivida na fé em Cristo e pautada nos princípios libertadores das Escrituras.
TOMO
III
"Na prática do Evangelho libertador de Jesus Cristo, homens e mulheres não estarão alienados do seu tempo, ao contrário, com os corações cheios de esperança escatológica, serão agentes de transformação histórica."
Fonte: A Liberdade Cristã em Calvino, Marcos
Azevedo, p.168.
Envie comentários para: www.pereirarquiteto@ig.com.br
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
A Bíblia...
A Bíblia é O livro inspirado por Deus,
por isso é o mais humano dos livros.
Como é humano, registra as contradições do homem,
Como é divino, contêm a paciência de Deus;
Como é humano, abriga as dúvidas do homem,
Como é divino, aponta o CAMINHO da verdade;
Como é humano, expõe o pecado do homem,
Divino, exala o perdão;
Sendo humano, há ódio, preconceito, violência, intolerância.
Porém divino... o AMOR.
por isso é o mais humano dos livros.
Como é humano, registra as contradições do homem,
Como é divino, contêm a paciência de Deus;
Como é humano, abriga as dúvidas do homem,
Como é divino, aponta o CAMINHO da verdade;
Como é humano, expõe o pecado do homem,
Divino, exala o perdão;
Sendo humano, há ódio, preconceito, violência, intolerância.
Porém divino... o AMOR.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
A Matemática da Fé
Há três momentos distintos na compreensão do evangelho no I século:
1º momento: Fé + obras da Lei + judeus;
Tiago, líder da Igreja em Jerusalém, defendia que Jesus era o Messias dos judeus exclusivamente para libertação dos judeus, conforme a escritura, e que a salvação era pela fé no Messias e prática dos ritos judaicos, especialmente a circuncisão.
2º momento: Fé + obras da Lei + judeus + gentios;
Pedro, membro da Igreja em Jerusalém, admite que a salvação pode ser extensiva aos gentios, conforme um sonho que teve.
3º momento: ( Fé + graça + judeus + gentios ) - obras da Lei;
Paulo exclui as obras da Lei e introduz a teologia da graça divina, pregando a salvação, pela graça e não pela Lei, primeiro aos judeus depois aos gregos (gentios).
4º momento: ( Fé + graça + gentios ) - ( obras da Lei + judeus ).
Rejeitado pelos judeus, Paulo amaldiçoa o povo de Israel voltando-se exclusivamente para os gentios, pregando que é necessário se libertar das práticas da Lei. Paulo, portanto, exclui os judeus e sua Lei da sua teologia da graça divina
Pode-se perceber que a evolução do pensamento cristão começou pelos judeus e terminou pelos gentios, começou pela Lei e terminou pela graça.
O que diria Jesus de tudo isso?
"(Disse Jesus:) Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir." Mateus 5:17
Jesus Parece manter uma forte ligação com a Lei durante o seu ministério. Jesus reprova, sim, as práticas sacerdotais de sua época que transformaram a Lei em um tão grande fardo que nem eles mesmos podiam carregar.
Neste sentido, poderiamos afirmar que o Cristo conclama seu povo de Israel à voltar ao espírito da Lei, e não à letra morta?
"Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos." Marcos 7:27
De onde Paulo retirou a doutrina da GRAÇA disassociado às práticas da LEI?
1º momento: Fé + obras da Lei + judeus;
Tiago, líder da Igreja em Jerusalém, defendia que Jesus era o Messias dos judeus exclusivamente para libertação dos judeus, conforme a escritura, e que a salvação era pela fé no Messias e prática dos ritos judaicos, especialmente a circuncisão.
2º momento: Fé + obras da Lei + judeus + gentios;
Pedro, membro da Igreja em Jerusalém, admite que a salvação pode ser extensiva aos gentios, conforme um sonho que teve.
3º momento: ( Fé + graça + judeus + gentios ) - obras da Lei;
Paulo exclui as obras da Lei e introduz a teologia da graça divina, pregando a salvação, pela graça e não pela Lei, primeiro aos judeus depois aos gregos (gentios).
4º momento: ( Fé + graça + gentios ) - ( obras da Lei + judeus ).
Rejeitado pelos judeus, Paulo amaldiçoa o povo de Israel voltando-se exclusivamente para os gentios, pregando que é necessário se libertar das práticas da Lei. Paulo, portanto, exclui os judeus e sua Lei da sua teologia da graça divina
Pode-se perceber que a evolução do pensamento cristão começou pelos judeus e terminou pelos gentios, começou pela Lei e terminou pela graça.
O que diria Jesus de tudo isso?
"(Disse Jesus:) Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir." Mateus 5:17
Jesus Parece manter uma forte ligação com a Lei durante o seu ministério. Jesus reprova, sim, as práticas sacerdotais de sua época que transformaram a Lei em um tão grande fardo que nem eles mesmos podiam carregar.
Neste sentido, poderiamos afirmar que o Cristo conclama seu povo de Israel à voltar ao espírito da Lei, e não à letra morta?
"Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos." Marcos 7:27
De onde Paulo retirou a doutrina da GRAÇA disassociado às práticas da LEI?
domingo, 26 de janeiro de 2014
Estou de volta!
Neste novo ano de 2014, pretendo retomar a pesquisa sobre a essência do evangelho de Jesus.
Após a leitura de Atos dos Apóstolos, pude perceber o seguinte:
1.A base da autoridade dos apóstolos, após a morte de Jesus, foi a afirmação de que aquele carpinteiro de Nazaré era o Cristo das profecias, cuja ênfase na sua ressurreição foi o atestado incontestável da sua autoridade como o Filho de Deus.
2.No primeiro século duas doutrinas entram em rota de colisão:
2.1. A fé no Cristo ressuscitado deve ser acompanhada das práticas judaicas (as "obras" segundo Tiago, líder da igreja em Jerusalém).
2.2. Surge Paulo pregando a mesma fé no Cristo porém desassociado das práticas do judaísmo, uma fé incondicional mediante a graça "sem as obras da Lei".
Estas duas correntes entram em choque no livro de Atos.
No tempo que existiu a congregação de Jerusalém (até 70 dC) parece ter prevalecido a doutrina da fé acompanhada das práticas do judaísmo.
Apenas depois que os cristãos-judeus iam sendo sacrificados pelo governo de Roma (até seu banimento total) é que a doutrina da fé sem as obras de Paulo encontrou campo fértil para florescer, consolidando-se com a adoção do cristianismo como religião oficial do estado romano.
Atualmente é comum a tentativa de associar as duas posições, evitando-se a contradição.
O livro de Atos demonstra que haviam dúvidas, questionamento, reconsiderações. A doutrina não era hermética e incontestável, como acontece hoje. Os debates eram saudáveis e evitavam o sucateamento da fé.
Após a leitura de Atos dos Apóstolos, pude perceber o seguinte:
1.A base da autoridade dos apóstolos, após a morte de Jesus, foi a afirmação de que aquele carpinteiro de Nazaré era o Cristo das profecias, cuja ênfase na sua ressurreição foi o atestado incontestável da sua autoridade como o Filho de Deus.
2.No primeiro século duas doutrinas entram em rota de colisão:
2.1. A fé no Cristo ressuscitado deve ser acompanhada das práticas judaicas (as "obras" segundo Tiago, líder da igreja em Jerusalém).
2.2. Surge Paulo pregando a mesma fé no Cristo porém desassociado das práticas do judaísmo, uma fé incondicional mediante a graça "sem as obras da Lei".
Estas duas correntes entram em choque no livro de Atos.
No tempo que existiu a congregação de Jerusalém (até 70 dC) parece ter prevalecido a doutrina da fé acompanhada das práticas do judaísmo.
Apenas depois que os cristãos-judeus iam sendo sacrificados pelo governo de Roma (até seu banimento total) é que a doutrina da fé sem as obras de Paulo encontrou campo fértil para florescer, consolidando-se com a adoção do cristianismo como religião oficial do estado romano.
Atualmente é comum a tentativa de associar as duas posições, evitando-se a contradição.
O livro de Atos demonstra que haviam dúvidas, questionamento, reconsiderações. A doutrina não era hermética e incontestável, como acontece hoje. Os debates eram saudáveis e evitavam o sucateamento da fé.
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