AMOR x MEDO
"... seria bom que, com o passar do tempo, a abordagem teológica deixasse de ver Deus como uma força externa que criou as regras do Universo, para considerá-lo uma experiência interior." (1)
A despeito da palavra bíblica de que "o verdadeiro amor não conhece o medo", parece que a religião tradicional foi edificada justamente explorando o medo desde tempos remotos.
Medo da morte, medo do pecado, medo de perder a salvação, medo de não estar no centro da vontade do Todo-Poderoso, medo de questionar, medo de ter dúvidas.
Do texto bíblico, podemos deduzir que:
1.Se há medo, não habita o verdadeiro AMOR;
2.Se há AMOR, não há lugar para o medo.
(1) Leonard Mlodinow, in "Ciência x Espiritualidade", p. 295
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
MONOTEÍSTA OU POLITEÍSTA?
Costumamos afirmar que o maior mérito do judaísmo foi ter ensinado ao mundo a fé em um deus único, inaugurando o monoteísmo.
Dizem as escrituras judaicas: "O Senhor vosso Deus é o único Deus... não terás outros deuses diante de mim".
O cristianismo do IV século, porém, adotou um modelo politeísta ao afirmar a doutrina da trindade divina.
Este conceito (trindade) já era conhecido desde o século XV a.C. pela crença hindu:
"Ainda que os Hindus acreditem em um onipresente e impessoal ser supremo, eles sustentam que esse ser existe em múltiplas formas, tanto do sexo masculino como do feminino, tornando a religião hindu politeísta. Como o divino não pode ser limitado, ele existe em toda parte e em tudo, daí o Hinduísmo é panteísta também. No topo das inúmeras formas estão Brahma, Vishnu e Shiva, a tríade suprema." (1)
(1) http://setimodia.wordpress.com/2010/10/08/entendendo-o-hinduismo-um-guia-pratico-para-cristaos/
Contatos com o autor deste blog: pereirarquiteto@ig.com.br
Costumamos afirmar que o maior mérito do judaísmo foi ter ensinado ao mundo a fé em um deus único, inaugurando o monoteísmo.
Dizem as escrituras judaicas: "O Senhor vosso Deus é o único Deus... não terás outros deuses diante de mim".
O cristianismo do IV século, porém, adotou um modelo politeísta ao afirmar a doutrina da trindade divina.
Este conceito (trindade) já era conhecido desde o século XV a.C. pela crença hindu:
"Ainda que os Hindus acreditem em um onipresente e impessoal ser supremo, eles sustentam que esse ser existe em múltiplas formas, tanto do sexo masculino como do feminino, tornando a religião hindu politeísta. Como o divino não pode ser limitado, ele existe em toda parte e em tudo, daí o Hinduísmo é panteísta também. No topo das inúmeras formas estão Brahma, Vishnu e Shiva, a tríade suprema." (1)
(1) http://setimodia.wordpress.com/2010/10/08/entendendo-o-hinduismo-um-guia-pratico-para-cristaos/
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013
A LIÇÃO DE SÓCRATES
"Em 399 a.C., três cidadãos de Atenas acusaram Sócrates de não reconhecer os deuses tradicionais e propor novas divindades. A pena para esse choque de visões de mundo, ou de deuses, era a morte. Durante o julgamento, Sócrates recusou-se a abjurar para escapar da sentença de culpado. De acordo com Platão, ele teria dito: "Enquanto eu respirar e conservar minhas faculdades, não cessarei de praticar a filosofia".(1)
Quando Deus faz uma revelação ao homem, Ele a faz por completo através da fé, da emoção, razão, inteligência, corpo e alma.
Negar ao homem a capacidade de questionar um axioma que foi estabelecido pelas culturas e gerações passadas como "verdade" absoluta, é negar a Deus a capacidade de poder respondê-lo acima de suas expectativas e necessidades intelectuais inclusive.
(1) Ciência x Espiritualidade, Deepak & Leonard, p. 11
domingo, 20 de janeiro de 2013
DEUS EXILADO
O que o novo evangelho precisa fazer é convidá-lO a descer e interagir, ensinar a humanidade a AMAR como Ele amou.
Contatos: pereirarquiteto@ig.com.br
Os judeus tinham uma visão sobre Deus diferente da visão do cristianismo.
Para o judeu, Deus estava no centro da ação.
Diferentemente do cristianismo, os judeus não esperavam seu messias vindo "do céu", assim como não compartilhavam da crença de que este "céu" era o lugar para onde um ressuscitado deveria ir após a morte. Para o judeu, o reino de Deus se estabeleceria aqui mesmo, na terra, ainda durante a geração que conheceu o messias.
A primeira tentativa de expulsar Deus do centro aconteceu quando os judeus pediram ao profeta Samuel para lhes ungir um rei... um rei que caminhasse à frente das suas guerras.
A bíblia registra a tristeza de Deus: "Ouve, Samuel, a voz do povo em tudo quanto te disser, pois não te têm rejeitado a ti; antes, a mim me tem rejeitado, para eu não reinar sobre ele." I Samuel 8:7.
A segunda tentativa de expulsar Deus do centro foi quando os autores e bispos dos primeiros séculos do cristianismo, querendo formar uma estética religiosa para a nova crença no nazareno, criaram um "céu" distante e recluso, nos moldes do Olímpus dos deuses da mitologia helênica, e O colocaram neste exílio.
O que o novo evangelho precisa fazer é convidá-lO a descer e interagir, ensinar a humanidade a AMAR como Ele amou.
Se pensarmos em nós mesmos sob a perspectiva do ato de amar, certamente não nos sentiremos tão dignos de salvação, qualquer que seja o plano ou estratégia de redenção dos pecados.
É por isso que o cristão moderno é tão despreparado para o exercício real do ato de amar?
Seria preciso Jesus voltar hoje e, decepcionado, perguntar: "vocês não entenderam nada? Criaram religiões e igrejas quando eu queria simplesmente que vos amassem uns aos outros?"
É por isso que o cristão moderno é tão despreparado para o exercício real do ato de amar?
Seria preciso Jesus voltar hoje e, decepcionado, perguntar: "vocês não entenderam nada? Criaram religiões e igrejas quando eu queria simplesmente que vos amassem uns aos outros?"
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
AS BOAS NOVAS
"A fé cristã é, e continua sendo, uma atitude de completa e absoluta entrega ao Deus salvador, cujo amor para com os humanos irradia na vida de Jesus de Nazaré. Essa fé incondicional encontra sua origem e orientação na Igreja primitiva. Não devemos perder nunca essa orientação. Como cristãos, somos sempre herdeiros do início.
O cristão deve estar disposto a "dar razão de sua esperança" (I Pedro 3:15) aos não cristãos. Deve estar pronto a mostrar claramente, às pessoas modernas, a riqueza de sentido de sua confissão.
Não recebemos nossa fé para guardarmos para nós mesmos, cuidadosamente embalsamada e enterrada com segurança no campo do passado, e sim para espalha-la e semeá-la. Nossa fé quer penetrar a cultura da modernidade de tal modo que esta se torne uma imagem promissora do reino de Deus. Para isso, a boa nova deve ser traduzida para a linguagem da modernidade. Caso contrário, seria de temer que deixasse de ser uma boa nova."
Pe. Roger Lenaers
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
QUEM É JESUS
O sermão proferido por um pastor começava assim: "Vocês sabem quem é Jesus? Jesus é o verbo encarnado de Deus!"
O que é "verbo encarnado?" Em muitos anos de prática cristã sempre tive dificuldade em entender isso. Se dizia que verbo é "palavra". A palavra de Deus encarnada? Ficou na mesma.
Quem disse isso? Jesus se declarou o verbo encarnado? Acho que nem Ele poderia explicar o que é isso, assim como não poderia explicar como pode ser três pessoas e uma ao mesmo tempo. Nem consigo imaginar Jesus, do alto do monte, pregando para as multidões sofridas, pobres e analfabetas: "eu sou o verbo encarnado"...
A teologia do "verbo encarnado" surgiu cerca de 90 anos após a morte de Jesus. Foi o evangelho segundo João quem a declarou.
Certamente João achou que tudo o que se poderia escrever sobre a vida e a mensagem de Jesus já havia sido dito pelos evangelhos sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas) e por Paulo em suas cartas, então resolveu inovar: criou uma séria de conceitos teológicos, de cunho acadêmico: Jesus é a videira verdadeira; o pão da vida; o verbo encarnado.
Quem é Jesus?
Jesus foi um judeu simples com uma mensagem simples: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI! Esta mensagem reverbera por todas as gerações e nos alcançou como prova de que é plano de Deus (que é AMOR, segundo João) que nos salvemos pelo amor, para o amor e por causa do amor.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
UM NOVO EVANGELHO
Um princípio básico que o cristão da teonomia (Deus no centro, e não "em cima") deve incorporar é que as palavras que Jesus "disse", nos evangelhos, não são textos literais e históricos, são interpretações livres do autor.
Quando o primeiro evangelho foi escrito (Marcos) provavelmente Jerusalém já havia sido completamente arrasada pelos romanos. Qualquer coisa escrita sobre Jesus, ou que ele tenha registrado de próprio punho, se perdeu nos escombros: "não há de ficar pedra sobre pedra".
Os evangelistas foram pessoas devotas e admiradoras de Jesus. Escreveram os evangelhos em uma época difícil, pois estavam escrevendo sobre um inimigo do estado dentro deste estado. Podiam ser denunciados e mortos. Mas queriam, acima de qualquer risco, comunicar ao mundo a força que a mensagem de Jesus trouxe àquelas gerações contemporâneas a eles. Para a cultura da época talvez fosse importante escrever como se Jesus textualmente tivesse dito as palavras que foram escritas, caso contrário não teria a aceitação e a devoção que tiveram por parte daquelas comunidades iletradas, inclinadas ao místico, ao apoteótico. Um marketing eficiente.
Este misticismo das primeiras comunidades cristãs pode ser encontrado no evangelho segundo João com a seguinte declaração de Jesus: "Porque me viste, Tomé, creste? Felizes os que não viram e creram".
O crente moderno precisa crer naquilo que não foi escrito, naquilo que não foi dito, naquilo que não foi registrado. Ele deve fazer voar sua fé nas asas da inteligência e libertar o evangelho das correntes do passado. É preciso desvencilhar-se um pouco do testemunho daqueles que "viram", redescobrir Jesus no nosso contexto, estar entre os que, ainda que não O "viram", "creram" para a glória eterna de Deus.
Não podemos esquecer que:
1.Foi a interpretação literal daquilo que Jesus "disse", e não daquilo que queria dizer, que mergulhou o mundo no período mais insano da história, a idade das trevas.
2.Foi a interpretação literal daquilo que Paulo dizia sobre os judeus terem sido os culpados pela morte de Jesus que, ironicamente, levou o povo "escolhido por Deus" ao holocausto. Hitler soube explorar, com habilidade, este preconceito do cristianismo em relação aos judeus
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