segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Cristianismo e escravidão

Em Colossense 4:1 há uma advertência para que os senhores sejam justos e retos com seus escravos.

Em Gálatas 3:28 Paulo defende a ideia de que todos são filhos de Deus pela fé em Cristo, não havendo discriminação étnica (gregos ou hebreus), de gênero (macho e fêmea) ou condição social (escravos e livres).

Paulo reconhece a instituição da escravidão e como ela é importante para a manutenção da base econômica e política de sua época.

Os escritos de Paulo estão em sintonia com o status político e o contexto econômico-social de Roma ao declarar que os crentes em Jesus devem ser obedientes aos governos seculares e que os escravos devem ser tratados com humanidade, mas não alforriados.

arquiteto2016@outlook.com

domingo, 24 de julho de 2016

Adoração?

Por que a atitude de adorar é o ponto central da vida cristã?

Adoração é uma atitude do espírito ou das emoções,
já que ela começa na mente, envolve o pensamento
no objeto a ser adorado, e se reflete em atos externos?

No que pensamos quando adoramos? Precisamos formar em nossa mente o objeto 
a ser adorado.
Este objeto deve ter características reconhecidas culturalmente como boas:
ele deve ser bondoso, justo, pai, distante mas zeloso, forte, suplante nossas deficiências
e limitações (um super humano). Deve ser "homem", branco.
Deve ter um olhar severo que inspire não apenas respeito mas medo.

Nos evangelhos Jesus não pedia ou incentivava para ser adorado.
Ao contrário, ele exigia o anonimato quando dizia a alguém que
acabava de ser curado que não o revelasse.
Jesus repreendeu o jovem rico ao reverenciá-lo como Bom 
("porque me chamas Bom? Bom só há um, que é o Pai).
Jesus ensinava que o menor é o maior e que o servo é maior
no reino de Deus do que o que é servido.

Então porque as religiões se fixam em atos de adoração?

Lendo os evangelhos percebemos que a missão de Jesus era ENSINAR.
Jesus frequentava as sinagogas para ensinar, escolheu os 12 para
os ensinar, se sentava frente às multidões para ensinar.

Jesus ensinava o mesmo que João: o Reino de Deus está próximo.

E esta proximidade era bem próxima mesmo. Deveria acontecer
antes que todos daquela geração morressem (cerca de 40/50 anos
dos contemporâneos de Jesus) e não em um futuro longínquo
como aqueles que tinham a expectativa de um Reino fabuloso, 
de reis e exércitos, esperava.

O Reino de Deus realmente chegou: são as atitudes de todos nós
frente às injustiças, o amor ao próximo, a assistência ao necessitado,
os gestos de caridade... este é o reino que Jesus deu início.

Atos excessivos de adoração desviam
a responsabilidade de viver dia a dia o evangelho.

Quando a religião deixou de ensinar e passou a fazer da adoração o ponto
alto da vida cristã?

O que Jesus ensinava?

Jesus ensinava aquilo que EU posso ensinar ao meu próximo: ter esperança.
Ensinar que o reino de Deus está aqui, agora, e que é um CAMINHO
a ser percorrido de influência primeiro na sua família depois
na sociedade.

Amém
arquiteto2016@outlook.com 





segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Confissão Luterana

Acabei de ler um livro bastante didático sobre a confissão luterana.
Seu nome é: "As Confissões Luteranas: Introdução", de Gunther Gassmann e Scott Hendrix, Ed. Sinodal.
Aprendi principalmente que o luteranismo é tradicionalmente ecumênico.
A condição ecumenica, diferentemente do que é interpretada por certas denominações, não se refere a algo ruim, mas a um diálogo entre diversificadas correntes de pensamento religiosos visando o bem comum para a humanidade.
O luteranismo é uma instituição forte, bem definida teologicamente, com uma identidade bem delineada desde a Reforma, no século XVI, mantendo as suas características próprias sem porém ser hermética, tradicionalista ou inflexível diante dos desafios da contemporaneidade.
Foi um grande prazer conhecer as bases desta história e entender como a instituição atua hoje em questões não apenas teológicas, mas sociais no mundo através da Fundação Luterana Mundial.
Parabéns aos luteranos! 

Comentários: pereirarquiteto@ig.com.br

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Deus revelado

A visão da Cabalá, trazida pelo Rabino Aaron, e a visão do teólogo José Castillo nos falam basicamente a mesma coisa: que Deus se revela ao mundo através do humano.
 
O ato da kenósis (despojamento de Deus de sua Transcendência e poder para descer ao nível da humanidade), revelada em Jesus (que a transmitiu à nós), nos inspira a vivermos e experimentarmos essa encarnação de tal forma que possamos revelar Deus ao mundo no nosso dia-a-dia, nas nossas relações humanas, enfim, em tudo que falamos, fazemos e pensamos.
 
José nos coloca a seguinte proposição: no final de tudo, no Juízo bíblico, não seremos cobrados pelo que fizemos ou deixamos de fazer a Deus, mas o que fizemos ou deixamos de fazer às pessoas com quem nos relacionamos.
 
"porque estive nu, com fome, preso... e não me vestistes, alimentastes ou libertaste..." Mateus 25.
 
 
 
 
 
Fontes citadas na postagem anterior.
 
Comentários também podem ser enviados para pereirarquiteto@ig.com.br

terça-feira, 21 de julho de 2015

A revelação do divino (Cabalá x Jesus)

Na interpretação da Cabalá, apresentado pelo Rabino Aaron, o Transcendente se apresenta também como o Imanente, aquele que habita no homem, se expressando através dele com atos de bondade, amor e compreensão, num processo de "panenteísmo", palavra derivada de pan (tudo), en (dentro) e teo (deus).

Já o teólogo José Castillo nos apresenta Jesus como aquele em quem o divino se revelou no homem através de atos de amor, mudando de forma radical o conceito que o judaísmo fazia sobre Deus como Aquele que se vinga, que odeia os inimigos de seu povo, que escolhe e exclui.


Ambas interpretações têm, como ponto em comum, que Deus não está distante, separado do homem, mas habita a humanidade e se revela através dela.

O ponto discordante nos parece ser, porém, que a Cabalá afirma que a imanência é uma nova interpretação dada pelos textos judaicos pós-exílio ao monoteísmo, uma interpretação que já existia desde sempre mas que só após a apreensão do conceito de que Deus é Uno se poderia ter, enquanto o teólogo José afirma que a imanência se fez a partir da humanização do divino na pessoa humana de Jesus e só a partir de então as pessoas passaram a ter uma nova interpretação de Deus como aquele que ama a todos indiscriminadamente.

Como questionamentos propomos o seguinte:

1.Se Deus se revelou só a partir de Jesus, como afirma José, o que existia anteriormente eram apenas especulações mal formuladas do divino presente no judaísmo?

2.Se o Deus amor e bondade já era preexistente a Jesus, como afirma a Cabalá, que importância teria a revelação do divino em Jesus, ainda que para o judaísmo Ele não represente o Messias?

Fonte:

1.Aaron, Rabino David. "A Vida Secreta de Deus", Ed. Sêfer;
2.Castillo, José M. "Jesus, A Humanização de Deus", Ed. Vozes.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Resultados

As instituições sobrevivem de resultados.

Instruir os fieis a construir, dentro de si, nos seus pensamentos e atitudes do dia a dia, o caráter de Deus, ensinando que todos nós somos uma centelha de Deus e que precisamos expressar Deus em nossas ações a cada momento não produz resultados imediatos, portanto não interessa à instituição.

A fé em Cristo para se salvar do inferno, isto sim, produz resultados imediatos.

O medo de morrer sem salvação leva as pessoas a procurarem a instituição em busca de redenção instantânea, e esta redenção deve ser renovada a cada culto, a cada ida a esta instituição, atendendo aos dogmas e contribuindo financeiramente para a existência desta organização.

No fundo, uma reedição da venda de indulgências combatida por Lutero no século XVI durante o movimento protestante.

Em consequência há um êxtase coletivo, como aquele êxtase produzido pelas drogas.

Ninguém questiona, ninguém evolui, ninguém contesta... por causa do MEDO.

É o princípio do medo que faz com que as instituições se estabeleçam, com todas as suas regras e hierarquias e privilégios.

Satanás e tudo associado a ele (inferno, tentação, doenças, etc) serve bem a este propósito ao ponto de podemos questionar se o diabo não é o principal acionista (sócio) das principais instituições eclesiásticas.

Assim como numa escola construir o saber é uma tarefa difícil e negligenciada pelas instituições de educação, preferindo-se os resultados imediatos que a ameaça de perder o ano produz, as instituições religiosas negligenciam a construção do caráter de Cristo.

"De tudo o que se têm ouvido, o fim é: teme a Deus e guarda os Seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem." Eclesiastes 12:13

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Essência da vida

Salomão, a quem se atribui ter escrito o livro de Eclesiastes, afirma:
"... não há limites para fazer livros... (Ecl. 12:12).

E ainda: "De tudo o que se tem ouvido, o fim é: teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem." (Ecl. 12:13).

O homem tem um caminho e um dever: seu caminho não tem limites, porque o conhecimento não tem fim; seu dever é a busca incessante e incansável pela essência da vida, e essa busca só pode acontecer fora se si mesmo, além das coisas que são visíveis.

O homem foi feito para CAMINHAR... caminhar sempre, sem nunca parar diante de "verdades" ditas como absolutas, imutáveis e inquestionáveis. É no caminhar que consiste o sentido da vida, e não no chegar em algum lugar.

Assim o filósofo grego contemporâneo, Nikos Kazantizakis expressou sua busca:

"Por uma só coisa anseio:
aprender o que se esconde atrás dos fenômenos;
desvendar o mistério que me dá a vida e a morte;
saber se uma presença invisível e imota se esconde além do fluxo visível e incessante do mundo.

Pergunto e torno a perguntar, golpeando o caos:
quem nos planta nessa terra sem pedir licença?
Quem nos arranca da terra sem nos pedir licença?

Sou uma criatura fraca e efêmera, feita de barro e sonhos.
Mas sinto em mim o turbilhonar de todas as forças do Universo.
Antes de ser despedaçado, quero ter um instante para abrir os olhos e ver.
Minha vida não tem outro objetivo.

Quero achar uma razão de viver, de suportar o terrível espetáculo diário da doença,
da fealdade, da injustiça e da morte.
Vim de um lugar obscuro, o Útero;
vou para outro lugar obscuro, a Sepultura.

Uma força me atira para fora do abismo negro;
outra força me impele irresistivelmente para dentro dele."

(KEVITZ, Ed René, Vivendo Com Propósitos, Ed. Mundo Cristão, p. 3.)